A verdade sobre a esporotricose

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Se você mora no Rio de Janeiro provavelmente já se deparou com algumas matérias sensacionalistas sobre uma "epidemia" de esporotricose no estado. Por se tratar de uma zoonose, doença transmissível dos animais para o ser humano, não é de conhecimento geral da população, porém é muito familiar para nós veterinários. Por esse motivo nos espantamos com esse tipo de manchete, já que sabemos que a incidência da doença no RJ sempre foi alta. Decidi fazer esse post para esclarecer algumas dúvidas e mostrar que a prevenção é mais simples do que se imagina.

O que é a esporotricose?

A esporotricose é uma micose causada pelo fungo Sporothrix schenckii e pode afetar seres humanos e animais. O fungo causador da doença está presente no solo, palhas, vegetais e madeiras, podendo ser transmitido por contato direto ou materiais contaminados, como farpas e espinhos. Os gatos se contaminam com mais facilidade por terem o hábito de enterrar as fezes com terra. Além do contato direto com o meio contaminado, o homem pode se infectar por arranhões ou contato da pele diretamente com as lesões de animais contaminados.




Quais são os sinais da doença nos gatos?

Os sinais mais comuns nos gatos são o surgimento de feridas ulceradas (abertas/profundas), que geralmente não cicatrizam ou cicatrizam e ressurgem no mesmo local. Uma outra forma clássica de manifestação da doença é a lesão " nariz de palhaço", como na foto abaixo:



O que fazer ao observar esses sinais no meu gato?

A primeira coisa a fazer ao observar quaisquer desses sinais em seu animal é levá-lo a uma clínica veterinária para o correto diagnóstico. No caso de lesões ulceradas o exame para detecção da doença é bem simples e indolor. É feito um "imprint" da lesão, que nada mais é que encostar uma lâmina de microscopia no local e enviá-la para o laboratório para ser analisada. O resultado normalmente é liberado dentro de 24 horas e já é possível iniciar o tratamento caso seja confirmado o diagnóstico.


Como é o tratamento?



O tratamento é feito com antifúngico oral prescrito pelo médico veterinário na dose adequada para o seu animal. Em alguns casos podem ser acrescentados medicamentos auxiliares e tratamento local para as lesões, dependendo da gravidade. A duração do tratamento pode variar de 2 meses até 1 ano, de acordo com a resposta apresentada. É importante que sejam tomados alguns cuidados para evitar a transmissão da doença para outros animais ou mesmo para as pessoas:

- Mantenha o animal em local isolado de animais sadios (mesmo de outras espécies, como cães por exemplo);
- Não permita que o animal saia de casa;
- Evite manusear demais o animal. Caso tenha crianças em casa explique a situação para elas e redobre a atenção;
- Use luvas ao manipular o animal ou aplicar medicamentos nas lesões;
- Lave bem as mãos com água e sabão após ter contato com o animal;
- Higienize o ambiente onde o animal se encontra com água sanitária ou cloro.

O medicamento oral é em cápsulas e quem tem um gato sabe o quanto é difícil fazê-los tomar, nesses casos extremos converse com o veterinário sobre a possibilidade de medicação manipulada em forma de pasta palatável. Essa forma só é produzida em farmácias de manipulação veterinária. É mais fácil e bem menos estressante para o gato e para o dono, que não precisa ficar apreensivo de levar um arranhão e se infectar. Basta aplicar a pasta no dorso da pata dianteira do gato e ele irá lamber feliz da vida! Por isso lembre-se de escolher o sabor preferido do seu bichano.


O que fazer se meu gato me arranhar?

Se mesmo com todos esses cuidados o acidente acontecer, mantenha a calma. Lave bem o local do arranhão com água e sabão ou álcool iodado e observe a lesão diariamente. Em caso de qualquer alteração ou dificuldade de cicatrização procure o serviço de saúde mais próximo. Médicos têm dificuldade de diagnosticar a doença por não ser tão comum, então seja claro e explique que foi arranhado por um animal infectado. O tratamento em humanos também é feito com o mesmo antifúngico oral, devidamente prescrito pelo médico.

Lesão de esporotricose humana


Como proteger meu animal e minha família dessa doença?


A principal forma de se evitar essa doença é muito simples: mantenha seu animal dentro de casa, é simples assim! Infelizmente as pessoas ainda têm a ideia de que um gato precisa "passear" e que isso faz bem para eles. Ao contrário, quando um animal sai na rua por conta própria está exposto à doença, pois vai procurar um local com terra para enterrar as fezes e pode se envolver em brigas com outros gatos, podendo ser infectado também dessa forma. Portanto, mantenham seus animais a salvo dentro de casa sob sua responsabilidade e cuidado. Telas são essenciais para que eles não fujam e a castração ajuda no processo, pois o animal não terá o estímulo de sair para procurar um parceiro. E por último, porém não menos importante: não abandonem seus animais se estiverem infectados! Você só estará contribuindo para a disseminação da doença, além de ser um ato de extrema crueldade. Com os cuidados adequados é possível que o animal seja tratado e não transmita a doença.
Ficou com alguma dúvida? Deixe nos comentários e terei prazer de responder.



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